“Um dos maiores eventos já feitos era a nossa meta. Agora ele está pronto e preparado com êxito”, afirmou o presidente da 12a Conferência Brasileira sobre Melanoma, Dr. João Duprat.

O público, que chegava em massa de diversas partes do Brasil, endossou as palavras do médico. Todos, já no primeiro dia de conferência, estavam ansiosos pelas aulas práticas que inauguraram o evento. “Patologia das lesões melanóticas” e “Tratamento sistêmico adjuvante” foram alguns dos cursos ministrados no período da manhã de quinta-feira, 10 de agosto, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

Enquanto isso, o lounge do programa Juntos Contra o Melanoma, recebia o seu garoto propaganda, o ator global Kleber Toledo, e o presidente do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), o Dr. Elimar Gomes (SP), para algumas fotos.

Ambos, entre um clique e outro, afirmaram que profissionais que observam constantemente a pele das pessoas, como cabelereiros, podólogos e tatuadores, podem sugerir a seus clientes uma visita ao médico, caso notem um sinal suspeito. Para tal, no entanto, precisam estar treinados e a iniciativa Juntos Contra o Melanoma se propõe a fazer isso.

Às 10h, no enorme salão da plenária, aconteceu a abertura oficial. Na cerimônia, subiram ao palco os doutores Fernando de Almeida (SP), ex-presidente do GBM, e o Dr. João Duprat, presidente da Conferência, que agradeceram a presença de todos neste grande encontro sobre melanoma. Aliás, esta congregação de médicos de diferentes especialidades foi algo destacado pelos doutores. Para Duprat, o caráter multidisciplinar e integrado do evento é algo de extrema relevância no tratamento do melanoma.

Ainda na abertura, houve a apresentação multimídia do projeto À flor da pele, com o artista Thomas Israel. Por meio de vídeos, sons e performances, a plateia acompanhou de forma lúdica como o melanoma nasce e se desenvolve no corpo humano.

Tendo o melanoma como um caso de saúde pública em diferentes cantos do planeta, o primeiro bloco de palestras contou com convidados internacionais e com a presença do Dr. Elimar Gomes, que abordou a dinâmica epidemiológica dessa doença no Brasil.

“A incidência de melanoma no Brasil é menor do que em outras áreas do globo, como nos Estados Unidos e na Europa. Entretanto, se observarmos isoladamente a região sul do nosso país, por exemplo, onde a imigração europeia foi alta, o número de casos se revela tão expressivo quanto na Austrália, nação que apresenta o maior índice de pessoas com melanoma no mundo”, explicou o doutor.

Outras palestras importantes antecederam o intervalo para o almoço. Os doutores Axel Hauschild (Alemanha), Ashfaq Marghoob (EUA) e Mariana Petaccia (SP), com muita desenvoltura e didática, explanaram sobre assuntos que atravessam o diagnóstico mais antecipado do melanoma, como mutações que influenciam no reconhecimento da doença e estratégias de rastreamento.

A tarde intensa de aulas exaltou, dentre outras coisas, a relevância da boa relação entre médico e paciente para um tratamento mais eficaz e o quanto é essencial o diagnóstico precoce. O primeiro dia de evento foi encerrado com um agradável coquetel.

O segundo dia de conferência revelou um arco de palestras bastante interessante. Os temas abordados no bloco “Imunologia em Melanoma” se complementavam. Os doutores Rodrigo Munhoz (SP), Andreia Melo (RJ), Rafael Schmerling (SP) e Adriana Mendes (SP) discutiram os efeitos que algumas drogas causam sobre o sistema imune do paciente com melanoma, impedindo a erradicação de tecidos sadios, bem como o seu intuito antitumoral.

Já nos Simpósios Satélites BMS e MSD, o diagnóstico precoce do melanoma retomou parte das pautas. A Dra. Juliana Casagrande (SP) ressaltou a necessidade do exame dermatológico clínico para aferir lesões, citando o mapeamento corporal total e a dermatoscopia digital como exemplos básicos.

“Esse tipo de cuidado é essencial porque existem lesões iniciais que mimetizam melanocíticos comuns, ou seja, as famosas “pintinhas”. Portanto, como prega o consenso entre os pesquisadores do melanoma, quanto mais rápida for identificada essa doença, maior a probabilidade de sucesso do tratamento”, explicou a doutora.

Para o Dr. João Duprat, aliás, 80% dos casos são resolvidos através de cirurgia. Os outros 20% seriam uma comunhão entre exérese e determinadas drogas. Ao encerrar a plenária, o especialista dividiu com o público que a alta acurácia das pesquisas que o seu grupo de trabalho desenvolve, deve-se não só as muitas horas de estudo, mas também a sorte de ele coordenar uma equipe “feliz”, capaz de se respeitar e divertir-se.

Do outro lado do Centro de Convenções Rebouças, aconteciam, em paralelo, os workshops do Juntos Contra o Melanoma. Leigos, cabeleireiros, podólogos e tatuadores descobriam como identificar pintas suspeitas, os meios de prevenção e de que modo auxiliar no combate à doença, sendo sempre alertados que o diagnóstico e a prescrição de tratamento cabem exclusivamente ao médico.

A máxima de que todo o conhecimento deve ser compartilhado foi levada à risca pela comissão científica do evento. Isso, diga-se de passagem, é uma marca do GBM, preocupado desde a sua fundação em estimular ações de conscientização e o aprendizado multidisciplinar. Médicos e não-médicos saíram do segundo dia de conferência mais inteirados a respeito desta delicada doença e, sem sombra de dúvida, juntos contra o melanoma.

Nos primeiros minutos do terceiro e último dia de evento, verificamos que o PET/CT tende a gerar resultados mais significativos que outros exames de imagem para determinar a extensão e o avanço do melanoma no paciente. O Dr. Omgo Nieweg (Austrália), que palestrou “Imagem em melanoma”, foi bastante aplaudido.

O bloco “Impacto econômico das novas terapias para o melanoma avançado” suscitou uma série de tópicos que transformou de vez a conferência numa aula rica em conhecimento e troca de experiências.

Ficamos por dentro de big datas aptos a realizar 25 horas de leitura científica seguidas, a fim de não nos deixar perder nenhum conteúdo importante para o desenvolvimento de novas pesquisas e tratamentos, o que o palestrante Pedro Aguiar (SP) chamou de “conceito all line”, informação à disposição em qualquer hora e lugar.

À tarde, o depoimento do Dr. Eduardo Bertolli (SP) emocionou a todos pela forma carinhosa que foi narrado. Uma paciente que chegou a pensar que seria seu último Natal com a família, a ponto de reprogramar junto à equipe médica sua visita ao hospital, sobreviveu ao melanoma graças ao tratamento adequado. Um dos pontos altos da conferência.

A entrega dos prêmios aos melhores trabalhos científicos despertou os olhares e aplausos dos presentes. Ao total, foram seis prêmios e quatro menções honrosas divididas entre especialistas que elaboraram pesquisas de investigação e relatos de caso. As doutoras Gabriela Bôasgomez e Mariana Colferai conquistaram, respectivamente, os primeiros lugares nas categorias mencionadas.

Já se aproximando do fim do evento, foi realizada a Assembleia Ordinária do GBM. Ao longo da reunião, foi apresentada a nova diretoria, presidida pelo Dr. Flavio Cavarsan (GO), que irá gerir o GBM nos próximos dois anos. O doutor discursou, agradecendo a confiança dos colegas e apresentando os projetos que pretende implementar.

Muitíssimo querido entre os seus colegas de trabalho, o homenageado da 12ª Conferência Brasileira sobre Melanoma foi o Dr. Gilles Landman. A homenagem recordou a gestão pioneira do médico a frente do GBM. Um lindo vídeo, com depoimentos de outros doutores, reuniu fases da sua vida. Visivelmente emocionado, Gilles agradeceu o gesto e exaltou a convivência em família como um fator preponderante para o bom trabalho.

Assim como a maioria dos congressistas, a indústria farmacêutica e outros expositores ligados ao universo clínico marcaram presença até o encerramento da 12ª edição, reforçando a importância da Conferência Brasileira sobre Melanoma no calendário de eventos médicos do país.

Até a próxima!

12/08/2017 – sábado

Cobertura do 12ª Conferência sobre Melanoma